Caso Rodolpho na TV Cultura tem comentário infeliz.

Um caso que ganhou destaque entre a população de João Pessoa e em seguida nacionalmente, foi a infração de trânsito cometida por Rodolpho Gonçalves, que culminou com a morte de um agente de trânsito.

O motorista do veículo, Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, responderá criminalmente por homicídio doloso qualificado pelo atropelamento e morte do agente da Lei Seca, Diogo Nascimento Sousa, 34 anos. “A ficha do sujeito está” agora “mais suja do que pau de galinheiro”

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Comentarista Airton Soares

O infrator é herdeiro do maior grupo da indústria alimentícia da Paraíba e também da afiliada da TV Globo. Como sempre aconteceu em nossa Terra Tupiniquim, é o sentimento de impunidade que fica na mente, uma vez que aqui em nosso país, rico, contravenção e crime, na imprensa brasileira, é como água e óleo, não misturam-se na mesma frase.

No entanto, a população tem demonstrado há algum tempo que o sentimento de insatisfação não basta, e a violência contra “marginalzinhos”, que foi fundamentada por Rachel Sheherazade, é o que tem motivado a população a fazer justiça com as próprias mãos.

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Rachel Sheherazade comenta o linchamento em 2014

Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos “vingadores” é até compreensível.
O Estado é omisso. A polícia, desmoralizada. A Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que, ainda por cima, foi desarmado?
Se defender, claro! Comentário de Rachel Sheherazade

No entanto, o que tenho a dizer aqui não diz respeito à infração de Rodolpho, embora desejo fortemente que  haja justiça, sabendo que não devo esperar nada diferente da impunidade.

Infelizmente a população tem dado demonstrações da violência sheherazadeana frequentemente, e o tumulto das pessoas em torno da presença de Rodolpho (que talvez seja adotado por Rachel) vem reforçar a ação dos vingadores de atitude compreensível, segundo Rachel Sheherazade .

O que tenho a dizer é sobre um comentário preconceituoso e infeliz, disfarçado.

Muitas pessoas compartilharam, talvez sem perceber a deselegância, pois gostaram da ideia de aparecer em um telejornal uma reportagem que expõe publicamente a vida de um rico que não será punido pelas leis dos homens. Acho que essa divulgação é o máximo de expressão de punição que veremos com relação ao caso.

No entanto, o comentário infeliz de Airton Soares, da TV Cultura, ao responder uma provocação do apresentador do telejornal é profundamente preconceituoso:

e mudou, na Paraíba!?

Se referindo ao coronelismo que supos existir na Paraíba. Além de citar alguns nomes que chamou de

grandes coronéis do Nordeste.

Entendo que foi uma postura de extrema deselegância e uma demonstração clara de que existe uma estrutura ideológica de pensamento preconceituoso na educação brasileira que formatou na cabeça de muitos.

No entanto, antes mesmo de Airton comentar, a própria provocação de Willian Corrêa já foi infeliz.

Isto era comum na época dos coroneis, não é Airton!?

O que leva um apresentador de um telejornal, uma pessoa com uma capacidade intelectual invejável, a ignorar o que ocorre no Brasil a ponto de falar que no passado era assim, hoje, só lá no nordeste, não é Airton Soares? 

Estranho um jornalista e um comentarista que vive em São Paulo achar que o coronelismo acabou no Brasil, não na região nordeste.

Olhar o rosto dos outros ignorando o próprio nariz é uma cultura que deveria ser revista.

Acredito que não precisava ir tão longe em seus comentários, bastava dizer que conhece bem este esquema de abuso de autoridade, pois  conhece bem as terras de Geraldo Alckmin, conhecido como ladrão de merenda. Ou de Beto Richa, no Paraná, o do desmonte da educação. 

Mas preferiu colocar coronelismo, Paraíba e Nordeste como sendo interligadas, como sabemos que abuso de autoridade é prática comum no Brasil, não apenas nos estados do nordeste.